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Santos pode ter cardápio adaptado para quem fez redução de estômago

Refeição contaria com menos comida e 70% do preço de um prato normal. Como é uma proposta, restaurantes podem aderir ou não à novidade.

Mariane Rossi Do G1 Santos

Alexandre Lopes/G1
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Refeições dos operados sairiam pela metade do preço do prato normal

Os restaurantes de Santos, no litoral de São Paulo, podem começar a adotar um cardápio adaptado para as pessoas que fizeram cirurgia de redução do estômago. Uma proposta já foi encaminhada para representantes da categoria e a ideia é que os operados paguem menos por uma refeição com menor quantidade de comida.

O vereador Ademir Pestana foi o autor dessa ideia. Ele fez um requerimento para o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Simulares da Baixada Santista solicitando que a entidade estudasse com os donos dos restaurantes a possibilidade de implantar um cardápio de pratos equivalentes ao normal, mas, em menor preço, para os portadores de cirurgia de redução do estômago. "Não seria justo as pessoas pagarem mais e comerem pouco. A gente calcula que seria até 70% do preço de um prato. Não daria prejuízo para os comerciantes", afirma.

Segundo o vereador, que é presidente de um hospital na Baixada Santista, as cirurgias bariátricas têm aumentado nos últimos anos. O procedimento é realizado pelas pessoas que desejam reduzir o estômago e, consequentemente, perder o peso. Por isso, haveria a necessidade de criar um cardápio especial para esse público que, segundo ele, sofre discriminação. "Socialmente elas se acham discriminadas com relação aos restaurantes porque são obrigadas a pagar um prato normal enquanto que elas só conseguem comer 1/3 disso", fala.

Antonio Joaquim Leal, cirurgião bariátrico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, confirma essa realidade. Somente ele, em 13 anos, fez mais de 1.500 cirurgias desse tipo em Santos. "Está crescendo a cada dia", afirma. Ainda de acordo com o cirurgião, as pessoas que fizeram a redução do estômago não necessitam ter uma mudança na alimentação. Depois, a pessoa pode comer de tudo, mas acaba comendo menos. Segundo o médico, as pessoas comem 50% a menos que antes da cirurgia.

Leal conta que os pacientes que realizam a cirurgia sofrem discriminação. "Muitas pessoas não vão a restaurantes para não ter que pagar pelo que não comeu", diz o médico. Ele e os pacientes operados já quiseram montar uma associação e fornecer uma carteirinha para esse público pagar menos pela refeição, mas a ideia não foi concretizada. Para o médico, a alternativa sugerida pelo vereador é positiva. "A ideia dele é muito boa. É uma forma da pessoa se sentir incluída na sociedade", afirma.

Opiniões

Alguns comerciantes do Centro de Santos ainda nem ouviram falar dessa proposta. Vera da Conceição Garrido tem um restaurante na rua XV de Novembro que oferece almoço a la carte, de segunda a sexta-feira. Para ela, se houver público, há interesse em montar os pratos com uma quantidade reduzida de comida. "Se a pessoa precisar a gente faz. Mas, não é qualquer prato, uma feijoada não dá. Precisaríamos estudar isso", opina.

Já Charliston Escobar, que também tem um restaurante no Centro da cidade, acredita que não seja necessário o cardápio adaptado já que não vê público suficiente para isso. Se fosse obrigatório, ele acredita que os estabelecimentos também teriam que se adaptar a algumas questões. "Teríamos que ter um acompanhamento de uma nutricionista, montar uma estrutura", fala. Para ele, as pessoas que fizeram cirurgia bariátrica poderiam frequentar restaurantes por quilo e escolher a quantidade e o tipo de comida que desejam. Além disso, esses estabelecimentos costumam oferecer um preço mais acessível.

A medida não é obrigatória para os comerciantes de Santos. Por enquanto, o cardápio adaptado é apenas uma proposta ao sindicato e os restaurantes, que podem aderir ou não à novidade.

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