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O Globo - RJ 11/07/2010 - 11:49 |
Liderança pede emoção
Profissionais discutem as consequências de se ter uma relação de proximidade com a equipe
Paula Dias
Não deu certo para a seleção argentina. Mas, segundo gestores e especialistas em recursos humanos, um executivo que desenvolva uma relação próxima de liderança — como a do técnico Maradona — tende a contribuir para que as empresas não colecionem tantos casos de falta de motivação entre os funcionários. Tudo porque uma gestão aberta e flexível é capaz de estimular características essenciais para o mercado, como comprometimento e foco em resultados. Mas e os riscos? Sim, esse comportamento pode, por exemplo, favorecer problemas de indisciplina. Aí cabe ao líder encontrar um ponto de equilíbrio.
Uma dica dos especialistas para se evitar problemas provocados por excesso de intimidade é o gestor ter em mente que não pode agir da mesma forma com todos os funcionários, diz Edson Rodriguez, vice-presidente da Thomas Brasil, empresa de gerenciamento de processos de seleção, treinamento e desenvolvimento de pessoas. Para Rodriguez, uma das habilidades de um bom líder é saber dosar a mão diante de cada situação.
— A liderança pode ser aberta e emocional, se esse for o estilo que melhor funcionar com determinada pessoa — explica Rodriguez, autor do livro “Futebol para executivos”, que compara a gestão empresarial com o treinamento de um time de futebol. — Se o gestor tiver liderados que precisam de mão forte, ele terá que ser rígido. Para isso, ele precisará conhecer cada integrante da equipe e regular a forma de abordagem.
Para Ricardo Marsili, sócio diretor da agência m2brnet, de marketing digital, um estilo de liderança informal e próximo do funcionário passa por não se importar somente com o trabalho que ele está realizando, mas também com as suas necessidades. Mais do que apenas delegar e ordenar, diz o administrador, é importante oferecer ajuda intelectual e até braçal.
— Em alguns casos coloco a mão na massa junto com a equipe, deixando claro que o que importa não é a hierarquia, mas a qualidade do trabalho — diz Marsili, que comanda um grupo de dez pessoas. — Tratar o funcionário com proximidade faz com que ele se sinta responsável diretamente pela empresa. Quando eu ou meu sócio não estamos no escritório, as pessoas trabalham com o mesmo empenho para resolver os problemas do dia a dia.
Mesmo fazendo questão de incentivar sua equipe e de compartilhar os problemas da empresa com ela, o sócio da m2brnet afirma já ter demitido profissionais que não souberam lidar com esse estilo de gestão.
— Há quem confunda um bom ambiente de trabalho com falta de seriedade. Por não praticarmos uma relação formal de empregador e empregado, algumas pessoas acham que podem relaxar quando o assunto é qualidade e produtividade — diz o empresário.
— Não é porque não exigimos do funcionário atestado médico, nas faltas por motivo de saúde, por exemplo, que toda semana ele vai ter uma doença diferente.
À frente de 354 funcionários, Sintia Gomes, gerente geral do hotel Sheraton Barra, faz questão de vivenciar os problemas da equipe de perto e organiza reuniões mensais com supervisores para que ajudem diretamente nas tomadas de decisões. Para Sintia, estimular o surgimento de ideias e reconhecer o esforço dos funcionários para atingir resultados é a melhor forma de ganhar a credibilidade e a confiança de um grupo.
— Quando as pessoas sentem que fazem parte de um time, fica mais fácil receber o apoio delas diante de uma tarefa extra, que foge à rotina diária. Mas é preciso ter cuidado para que os funcionários não encarem o comportamento informal do gestor com insegurança ou falta de firmeza — diz Sintia.
Fábio Carneiro, diretor-geral da qx3, empresa de soluções de inovação para internet e mercado financeiro, também compreende a liderança como uma questão de confiança e não de hierarquia.
— Nós apoiamos os funcionários, dando a eles liberdade e responsabilidade, para que se sintam uma engrenagem da empresa. Eles podem expressar opiniões e falar diretamente com a diretoria. Assim, o nosso papel passa a ser mais de monitoração do que de cobrança — acentua Carneiro. — No dia a dia é preciso ser um pouco Maradona, ou seja, líder por aclamação, e não por imposição. Porém, em alguns momentos, é preciso ter uma postura racional para resolver problemas e tomar decisões difíceis. Continua na página 3.
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