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Coordenador nacional conhece experiências exitosas do Maranhão

Pedro Valadares atesta resultados positivos na execução dos projetos pelo Sebrae e observa que os mesmos devem ser mais direcionados ao setor urbano

Samme Ribeiro

Apoiar o desenvolvimento territorial por meio do fomento e expansão dos pequenos negócios nos segmentos da indústria, comércio, serviços e agronegócios é objetivo do Sebrae com os sete projetos Territórios da Cidadania executados no Maranhão. Em recente visita à Baixada Ocidental e Lençóis-Munin, Pedro Valadares – coordenador nacional dos projetos Territórios da Cidadania para os estados do Maranhão, Piauí, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, destacou a boa atuação dos projetos nas duas regiões.

“Os dois territórios estão indo bem. A atuação está balanceada entre atendimento coletivo e individual. Claro que ajustes serão feitos, como o fortalecimento dos empreendimentos urbanos formalizados e de Empreendedores Individuais, assim como a implementação de projetos coletivos para organizar, melhorar a qualidade da produção e serviço, expandindo o mercado de grupos de produtivos”, comentou Pedro Valadares.

O Território da Baixada Ocidental, executado pela Unidade Regional do Sebrae em Pinheiro, está com as metas anuais adiantadas com atendimento individual e coletivo nos segmentos do comércio, serviços e agronegócios, além do Empreendedor Individual e implementação do ambiente favorável aos pequenos negócios por meio da implementação da Lei Geral. “O projeto já começou as oficinas de capacitação. Mas pode fortalecer e até quem sabe agregar mais projetos de comércio e serviços, aproveitando a existência de muitos mercadinhos locais, padarias, lojas de roupa e outros. O mais importante é que estão transformando a realidade local e levando os produtos e serviços do Sebrae a um maior número de empreendedores”, coloca o coordenador.

Exemplo disso é o desenvolvimento de uma pequena fábrica de chocolates em Pinheiro, a Chocobon Chocolates, de fabricação artesanal. O proprietário João Eudes da Silva Júnior tem visto o seu sonho tornar-se realidade, transformando-se em dono de seu negócio. Da venda de bombons de chocolates industrializados pelas ruas da cidade, ele percebeu uma possibilidade de melhorar a rentabilidade ao fabricar a produção.

“Busquei informação, fiz cursos, oficinas, assisti palestras sobre gestão no Sebrae, participei de seminários e o negócio foi tomando forma e dando lucro. O conhecimento é o grande diferencial quando se quer vencer na vida”, acredita João Eudes que se formalizou como Empreendedor Individual há dois anos e hoje olha com orgulho para o embrião da pequena fábrica, que funciona em sua casa. “Tudo foi conquistado com muito trabalho e sacrifício, mas com a ajuda e apoio incondicional de parceiros como o Sebrae consegui começar e estruturar o meu negócio”.

Com 60Kg de chocolate são fabricados 2.400 bombons, repassados a R$ 1,00 em pontos fixos do comércio de Pinheiro que, por sua vez revende a R$ 1,50 ao consumidor final. “Deixo 200 bombons em cada ponto. A cada 15 dias recebo o dinheiro da venda e faço a reposição. A ideia é utilizar essa mesma logística em municípios próximos, quando partir para a expansão do mercado ainda esse ano”, conta o empreendedor que já articula a representação de uma marca de chocolates do Sul do país para diversificar seu portfólio de produtos na região e, assim, aumentar a lucratividade. “O objetivo é investir o dinheiro da venda desses produtos na minha fábrica, com a compra de mais equipamentos e aquisição e novas tecnologias de produção”.

Experiência no Agronegócio
Em Mutuns, comunidade do município de Humberto de Campos, atendido pela Unidade Regional do Sebrae em Barreirinhas, o projeto Território da Cidadania tem muito a comemorar. Onde antes o solo arenoso não dava esperanças para o cultivo – a não ser o de subsistência, se produz 600kg de mamão por semana, além de melancia, maracujá, cheiro verde, cebolinha, pimenta de cheiro e vinagreira. O feijão, milho, mandioca, macaxeira e abóbora são cultivados para consumo próprio dos pequenos produtores, um grupo formado por oito famílias que aprenderam do zero a cultivar a terra e a retirar dela o seu sustento, numa área inicial de 1,5 hectare – hoje, totalmente irrigada.

“A gente pensa que areia não dá nada, mas com tecnologia e muita dedicação se consegue um bom resultado, aliás um ótimo resultado”, diz o produtor Zenilson Paixão, apontando para a plantação de 1.800 pés de mamão. “Vendemos 600Kg de mamão por semana, além de fornecer parte da nossa produção para a merenda escolar, pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Penae) e para a própria comunidade. Os compradores vêm buscar tudo aqui e quanto mais a gente produz, mais a gente vende”, informa.

O propósito do Sebrae com o projeto – que em Mutuns começou do zero – é justamente tornar rentável a produção, transformando o negócio em dinheiro. Os consultores do projeto acompanham os produtores e planejam as técnicas de manejo a serem utilizadas na área junto com eles. “Se não fosse o Sebrae, a gente nem tava aqui. A força que os técnicos nos dão é muito importante e na troca de experiência a gente aprende cada dia mais”, coloca Adail Coutinho, conhecido na comunidade como Periquito. “A gente deixou de ser lavrador para ser olericultor, hortifruticultor. Hoje, plantamos para comer e, principalmente, para vender a nossa produção. Com isso, a gente melhora a qualidade de vida da nossa família, dando mais conforto e oportunidades aos nossos filhos”.

Com as consultorias aplicadas pelo Sebrae, os pequenos produtores de Mutuns, organizaram-se, já conseguiram junto ao banco financiamento para compra de equipamentos, estão ampliando para três mil hectares a área irrigada e conseguiram inserir mais nove famílias no projeto, como um segundo grupo atendido. “Tivemos muitas dificuldades no início, mas tudo o que a gente passou, trouxe aprendizado e deixou o grupo mais preparado para os desafios. A gente não quer parar. Vamos seguir em frente e continuar a trabalhar duro para aumentar a produção, a renda e melhorar cada vez mais a vida das nossas famílias”, finaliza Zenilson Paixão.

Projetos no Maranhão
Além da região da Baixada Ocidental e Lençóis-Munin, o Sebrae Maranhão executa mais cinco projetos do Território da Cidadania no estado nas regiões dos Cocais, Médio Mearim, Vale do Itapecuru, Alto Turi/Gurupi e Campos e Lagos. O objetivo do projeto é atender aos Empreendedores Individuais, pequenos negócios formais nos segmentos de agronegócio, indústria, comércio e serviços, bem como da implementação da Lei Geral da Micro e Pequenas Empresas para que seja instituído um ambiente favorável ao desenvolvimento territorial como um todo.

“Após a visita do coordenador nacional vamos reunir com todos os gestores dos projetos no Maranhão e alinharmos as diretrizes, dentro do direcionamento pontuado por Pedro Valadares: 60% dos empreendedores atendidos pelo Território da Cidadania deverão ser da zona urbana”, coloca o gerente da Unidade de Desenvolvimento Territorial do Sebrae-MA, Antônio Garcês.


Serviço
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