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Gazeta de Alagoas - AL

O julgamento de Dirceu

Após ser demitido da Prefeitura de Sucupira, encontrava-se Dirceu Borboleta em pleno matagal

José Maurício Brêda – bacharel em Economia

Oscar Wilde (1854-1900) pregou que a “arte imita a vida”, mas há quem diga que “a vida imita a arte, que imita a vida, que...”. A dicotomia fica por conta da dúvida do que nasceu primeiro. E nesse embalo, pego-me vendo, no YouTube,capítulo do seriado Bem Amado, de Dias Gomes, que sugere ser a vida que imita a arte. Até pelo título, que reproduzo acima, a semelhança com os dias atuais é marcante. Poderia ser de Dirceu, de Cachoeira ou dos demais personagens do momento que estamos vivendo. Se não fosse a imputação de Dirceuzinho por assassinato, os diálogos parecem ter sido tirados da atualidade. Se não, vejamos:

Após ser demitido da Prefeitura de Sucupira, encontrava-se Dirceu Borboleta em pleno matagal, caçando os insetos que lhe emprestaram o apelido, quando aparece, para sua surpresa, o prefeito Odorico Paraguaçu. Com o jornal onde se noticiava o julgamento para os próximos dias, comunicava estar disposto a botar todo o poder, recursos e prestígio político em sua defesa, por achar-se comprometido com muitas falcatruas cometidas. Para tanto, iria contratar o maior causídico da Bahia, dr. Tácito Moscoso, para patrocinar sua causa. Na volta, telefona para o advogado,acerta seus serviços e, desculpando-se por não ir recebê-lo na estação, pede para que ninguém fique sabendo ter sido ele o responsável por tal.

E chega o dia do julgamento com toda sorte de acusações imputadas ao mandatário. Vereadores da oposição denunciam que estão querendo tirar a conotação política e os métodos escusos para manter-se no poder. Nas ruas, cartazes levados pela população pedem a cabeça de Dirceu. Mas,acomodado na plateia, Odorico ordena aos capangas que mandem desfraldar as faixas em apoio ao Borboleta.

No intervalo entre acusação e defesa, ouve do pároco que, se Dirceu é culpado, “outras pessoas” também têm culpa no cartório.

No final, anunciado o veredicto, Dirceu é absolvido e recebido pela população que o carrega nos braços, fato que não queremos que se repita na atualidade. Só faltou ao Paraguaçu “peitar” o juiz e os jurados para aumentar a coincidência.

Comentando sobre o tema da imitação da arte, o historiador Rodolfo Fiorucci diz que “...a obra deve ser lida e apreciada, tendo o objetivo de nos mostrar os erros do passado, para que sejam interpretados e não repetidos”.

Fica a esperança de que, em nossa Sucupira, consigamos fazer com que nos sirva a arte de lição.

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